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Terroir

Há algo especial na paisagem alentejana, na imensidão das planícies ondulantes, no céu amplo e de um azul imaculado, no horizonte infinito e no povo tranquilo e orgulhoso do Alentejo. Sua paisagem discorre suavemente entre vinhas e campos de cereais, pintada ora de um verde intenso no final do Inverno, ora cor de palha no final da Primavera ou ora ocre no braseiro dos meses de Verão. O semblante inconfundível dos
sobreiros e azinheiras marca a linha do horizonte, traços de identidade da região que ocupa mais de um terço da área do território continental.

A planície característica do Alentejo e a correspondente falta de barreiras orográficas impedem a condensação da humidade vinda do mar, subtraindo qualquer intenção de expressão atlântica no Alentejo. Mas são precisamente os poucos acidentes orográficos da paisagem alentejana que condicionam e individualizam as diferentes sub-regiões, proporcionando condições singulares para a cultura da vinha em toda a região.

A Serra de S. Mamede sita no norte do Alentejo, a cordilheira mais alta a sul do Tejo, constitui o exemplo flagrante desta individualidade, aportando a frescura revigorante que só a altitude pode proporcionar.
Também o Redondo, protegido pela barreira natural da Serra da Ossa, tal como a Vidigueira, abrigada pela Serra de Portel, beneficiam-se da cumplicidade da natureza para garantir vinhos singulares.

Em comum, os vinhos alentejanos oferecem um prazer sem fim, brancos, rosados e tintos, com vinhos cheios e de forte exuberância aromática, vinhos redondos e suaves, com uma capacidade única para serem bebidos cedo... sabendo envelhecer com distinção.

Conheça a seguir as 8 sub-regiões alentejanas:

BORBA

Borba é a segunda maior sub-região do Alentejo, espalhando-se ao longo do eixo que une Estremoz a Terrugem, estendendo-se por Orada, Vila Viçosa, Rio de Moinhos e Alandroal, terras pontuadas por solos únicos, depósitos colossais de mármore que marcam de forma constante e decisiva a viticultura e o carácter dos vinhos da sub-região.

As manchas alargadas de xisto vermelho, distribuídas heterogeneamente por terras pobres e austeras, constituem a tipologia alternativa marcante de Borba, naquela que é uma das sub-regiões mais dinâmicas do Alentejo.

O microclima especial de Borba assegura índices de pluviosidade levemente superiores à média, bem como níveis de insolação ligeiramente inferiores à média alentejana, proporcionando vinhos especialmente frescos e elegantes.

ÉVORA

Num passado longínquo, durante o final do século XIX, Évora gozou de um prestígio inimaginável, tendo sido reconhecida como uma das sub-regiões mais vistosas e admiradas do Alentejo, berço de muitos dos vinhos mais cobiçados da região.

A filoxera, primeiro, logo seguida pelo estigma da campanha cerealífera do Estado Novo, encarregaram-se de suprimir quase por inteiro a vinha na sub-região, relegando Évora a um esquecimento forçado.

Foi preciso esperar até ao final da década de oitenta do século passado para assistir ao renascimento de Évora, capital e parte integrante do Alentejo central. A paisagem é dominada pelos solos pardos mediterrânicos, numa paisagem quente e seca que é berço de alguns dos vinhos mais prestigiados do Alentejo.

GRANJA-AMARELEJA

A Granja-Amareleja que espalha-se pela zona da raia, faz fronteira com a Espanha e fica ao redor da vila de Mourão, é condicionada por um dos climas mais áridos e ferozes de Portugal.

Os solos paupérrimos são forrados a barro e xisto, oferecendo produções e rendimentos baixíssimos, traídos pela recorrente falta de água, pela quase ausência de matéria orgânica e pela superficialidade da cobertura vegetal.

É uma zona de extremos que dá corpo a vinhos carregados de personalidade. Os verões muito quentes e secos implicam maturações precoces, proporcionando vinhos quentes e suaves, de grau alcoólico elevado.

A casta Moreto, uma das variedades mais características da sub-região, adaptou-se especialmente bem ao local.

MOURA

O clima revela uma forte tendência continental, com amplitudes térmicas dilatadas, Invernos frios e rigorosos e Verões tórridos, secos e prolongados.

Os solos são especialmente pobres, com o barro e o calcário a alternarem na paisagem, solos pouco profundos, duros e inclementes para a vinha mas com boa capacidade de retenção de água.

A casta Castelão domina a paisagem por inteiro, bem adaptada aos rigores de um clima tão radical.

Os vinhos de Moura apresentam um perfil quente e macio, com graduações alcoólicas consequentes.

PORTALEGRE

Portalegre é uma sub-região muito diferenciada das restantes sete. É aquela que mais se diferencia pela originalidade e condição.

Em Portalegre tudo é distinto, diferente da realidade tradicional do Alentejo, dos solos às vinhas, da altitude à idade das cepas.

As vinhas, dispostas maioritariamente nos contrafortes da Serra de S. Mamede, em fragas cujos picos chegam a transpor os mil metros de altitude, se beneficiam com o clima moderado pela altitude, muito mais fresco e húmido que o calor das planícies do sul, proporcionando vinhos frescos e elegantes, mas igualmente poderosos.

Os solos predominantemente graníticos surgem intercalados, nas zonas mais baixas, com pequenas manchas de xisto. Nas vinhas da serra a propriedade encontra-se muito fragmentada, dividida em inúmeras courelas semeadas por vinhas muito velhas, com idades que chegam a atingir os setenta anos.

Curiosamente, as castas Cinsault e Grand Noir sempre fizeram parte do encepamento, mais uma das muitas excentricidades de Portalegre.

REDONDO

A Serra d´Ossa, um dos maiores acidentes orográficos do Alentejo, eleva-se a cerca de 600 metros de altitude, dominando e delimitando a sub-região do Redondo, resguardando as vinhas a Norte e Nascente, proporcionando Invernos frios e secos compensados por Verões quentes e ensolarados.

Os solos, apesar de heterogéneos, como é regra no Alentejo, privilegiam os afloramentos graníticos e xistosos dispostos em encostas suaves com predominância na exposição a Sul.

É uma das sub-regiões mais consistentes face à proteção que a Serra da Ossa oferece.

REGUENGOS

É a maior das sub-regiões do Alentejo, baseada em terrenos pobres e pedregosos, repleta de afloramentos rochosos que marcam de forma dramática a paisagem de Reguengos.

Os solos xistosos e o clima profundamente continental, com Invernos muito frios e Verões extremamente quentes, condicionam a viticultura, oferecendo vinhos encorpados e poderosos, com boa capacidade de envelhecimento.

Apesar da dimensão, Reguengos é uma das sub-regiões onde a propriedade se encontra mais fragmentada, com áreas médias de vinha reduzidas para as referências tradicionais alentejanas. Reguengos é reduto de algumas das vinhas mais velhas do Alentejo, reservas únicas de clones e variedades hoje quase perdidas.

VIDIGUEIRA

A falha da Vidigueira que marca a divisória entre o Alto e o Baixo Alentejo, determina a razão de ser da Vidigueira, a sub-região alentejana situada mais a sul.

As escarpas da falha, de orientação Este-Oeste condicionam o clima da Vidigueira convertendo-a, apesar da localização tão a sul, numa das sub-regiões de clima mais suave do Alentejo.

Os solos são pouco produtivos, predominantemente de origem granítica e xistosa. A Vidigueira abriga a Tinta Grossa, uma das variedades mais misteriosas do Alentejo que alguns apontam como pseudônimo para a casta Tinta Barroca.

Apesar da localização tão a sul, a Vidigueira foi durante anos palco privilegiado para os vinhos brancos alentejanos, graças ao clima temperado da sub-região.

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